Propaganda computacional: o que esperar do futuro da propaganda?
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Propaganda computacional: o que esperar do futuro da propaganda?

fevereiro 14, 2019
propaganda computacional
Tempo de leitura 6 min

A propaganda computacional é a nova fronteira a ser desbravada por empresas em suas próximas ações de marketing pela internet. Em seu cerne, está o uso ainda mais intensivo da tecnologia, o que exige profissionais muito mais preparados para operá-la.

Na verdade, o conhecimento em desenvolvimento de sites, códigos de programação e de softwares em geral tem caráter também preventivo. A aplicação da Tecnologia da Informação na difusão de conteúdo pela Web, em especial por meio de bots, é uma questão preocupante.

O debate sobre o uso ético da tecnologia na internet ganhou ainda mais repercussão depois de Donald Trump ter sido eleito presidente dos Estados Unidos. Há fortes indícios de uso indiscriminado de robôs na criação de notícias falsas e perfis fictícios no Twitter.

No marketing, essa técnica já é uma realidade, servindo aos bons e aos maus propósitos. Na sequência, veja de que forma esta nova maneira de criar conteúdo pode impactar sua vida e os negócios.

Entenda o papel dos bots

Já é consenso que a tecnologia exerce papel cada vez mais preponderante na forma das empresas se posicionarem. Desde a formatação da cadeia de suprimentos até a definição das estratégias de marketing e propaganda, não há nada que escape da influência digital.

Conceitos como Big Data, Transformação Digital e Internet das Coisas (IoT), até há pouco tempo, só eram destacados como ferramentas úteis, subordinadas aos interesses humanos.

A publicidade na Web era uma via de mão única, na qual apenas as pessoas ditavam as regras. Mas chegaram os “bots” e essa regra foi alterada sensivelmente.

Um bot (ou robô) consiste em uma linha de programação, criada para replicar ações virtuais, tal como um ser humano faria. Trata-se de um recurso já utilizado há algum tempo pelo Google, que tem nos robôs o seu braço virtual para executar varreduras. São eles que fazem valer os algoritmos, espécie de conjunto de regras que viabilizam o funcionamento do motor de busca.

Não tardaria para que as empresas descobrissem neles funções muito além de meros executores de comandos. Foi assim que surgiram os chatbots, nos quais máquinas simulam seres humanos em serviços de atendimento ao consumidor.

Da mesma forma, eles também são empregados para processar informação em grandes volumes e em alta velocidade. Assim, os bots passaram a ser a base para ações maliciosas, principalmente em redes sociais e fóruns de discussão.

Conheça “o lado negro da força”

Diante das possibilidades abertas pelos bots, ficou evidente que eles poderiam servir a propósitos muito maiores do que o atendimento eletrônico. Foi o que constatou um recente estudo da Universidade de Oxford, no qual foi apurado um alto teor de propaganda política nas redes sociais, em virtude da ação de robôs.

No total, foram estudadas as interações em redes como Facebook e Twitter em nove países, Rússia, China, Brasil, Estados Unidos, Ucrânia, Polónia, Canadá, Taiwan e Alemanha. As pesquisas, que aconteceram entre 2015 e 2017, foram lideradas pelo grupo de cientistas de um grupo chamado de Polbots. Os resultados dos estudos, que ainda estão em andamento, podem ser consultados na página “Computational Propaganda”, vinculada ao Oxford Internet Institute.

Em resumo, os resultados das pesquisas nos anos referidos apontam para a criação de contas falsas, em que eram disseminados conteúdos inverídicos, capazes de viralizar rapidamente.

A ideia era — e ainda é — propagar material favorável a certos candidatos em tom incendiário, o que se mostra bastante eficaz para mobilizar as pessoas. Na ânsia de serem as primeiras a divulgar a “novidade”, milhões agiram e ainda agem em favor de causas mentirosas.

Tenha cuidado com as fake news

Enquanto os robôs compõem o braço virtual que leva as pessoas a acreditarem em conteúdo tendencioso, as notícias falsas são as suas “armas” nesse processo. Mais conhecidas pelo termo “fake news” já se constituem em uma séria ameaça até mesmo à democracia, já que apresentam potencial de abalar reputações de forma quase irreversível.

Nesse aspecto, a propaganda computacional utilizada para fins fraudulentos se vale das fake news amplamente. Divulgar fatos inverídicos revelou-se um ótimo negócio para quem deseja caluniar e difamar com um mínimo de consequências. Isso porque a regulamentação no Brasil ainda não é severa o bastante para punir quem usa meios virtuais para enganar as pessoas.

Como exemplo do estrago que esse tipo de desinformação pode causar, podemos destacar o caso da Coca-Cola, que teve que se retratar por anos na justiça. O motivo? Um suposto rato encontrado em uma garrafa de refrigerante, que, naturalmente, viria a ser revelado como uma farsa. De qualquer forma, o estrago na imagem da empresa foi imenso.

Aprenda a utilizar bem a propaganda computacional

As questões levantadas servem como alerta. Quem usa a tecnologia como ferramenta para criação e divulgação de conteúdo tem uma grande responsabilidade nos ombros.

Sendo assim, o mais prudente e recomendável é seguir os bons exemplos. Os já destacados bots de atendimento ao consumidor representam bem como eles podem ser úteis e servir às pessoas.

Primeiramente, por automatizarem uma parte do marketing que normalmente demanda muita mão de obra. Para empresas menores, tal custo seria inviável, mas com os robôs, seu marketing de relacionamento ganha um novo impulso.

A Inteligência Artificial também ocupa papel de destaque nesse contexto. Sistemas desenvolvidos com esse tipo de tecnologia são capazes de assimilar padrões de comportamento das pessoas na Web. Assim, torna-se possível oferecer produtos e serviços sob medida, conforme apontam os rastros de navegação autorizados por cada um.

Por mais que sejam usados para fins nefastos, os robôs também podem beneficiar empresas e, por extensão, os seus clientes. Além dos chats, eles podem ser utilizados como ferramentas de consulta, como faz uma grande empresa do ramo de benefícios. Pelo Whatsapp, o cliente fala com um chatbot, que retorna com o saldo do seu ticket alimentação automaticamente.

Portanto, mesmo que ainda não se possa apontar com segurança para o futuro da propaganda computacional, dá para afirmar que sua utilidade depende das pessoas. Se bem intencionadas, seu potencial é incrivelmente positivo. Em contrapartida, ela pode se tornar uma adversária poderosa da boa informação, quando for empregada para atender a interesses escusos.

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